Morre aos 83 anos o jornalista Renato Machado, ícone do telejornalismo brasileiro
Redação do Jornal 16 de julho de 2026 0 COMMENTSBrasil – O telejornalismo brasileiro perdeu uma de suas maiores referências na manhã desta quinta-feira (16). O jornalista Renato Machado morreu aos 83 anos na Clínica São Vicente, na Gávea, zona Sul do Rio de Janeiro. A causa do falecimento ainda não foi divulgada pela instituição hospitalar. Machado deixa uma carreira brilhante que marcou profundamente a história da televisão e da cobertura de fatos internacionais importantes.
Como Renato Machado reformulou o telejornalismo diário?
Renato Machado marcou gerações de telespectadores, mas sua passagem mais emblemática se deu no comando e na editoria-chefe do Bom Dia Brasil, posto que ocupou entre 1996 e 2010. Nesse período, ele foi o grande mentor da reformulação do programa matinal da TV Globo.
Ao lado de Leilane Neubarth e, posteriormente, de Renata Vasconcellos, ele quebrou a rigidez do formato tradicional dos noticiários ao vivo. O jornalista ajudou a introduzir maior dinamismo no estúdio, com conversas descontraídas, trânsito livre pelo cenário, comentários opinativos de bastidores e intervenções diretas de repórteres de rua.
Quais foram as coberturas internacionais mais marcantes da carreira dele?
Antes de fixar-se como âncora, Renato construiu um currículo robusto cobrindo conflitos armados e desastres que moldaram o final do século XX. Sua trajetória começou no impresso em 1969, no Jornal do Brasil, ingressando na Globo em 1982.
As suas coberturas de maior impacto no exterior incluíram:
Guerra das Malvinas (1982): Seu primeiro grande desafio na televisão.
Correspondente em Londres (1983-1988): Período em que noticiou eventos dramáticos como os atentados terroristas em Paris, em 1986, e o histórico desastre nuclear de Chernobyl.
Guerra do Golfo (1990): Cobertura realizada durante uma curta passagem pela TV Manchete.
Eventos Históricos: No retorno à Globo, registrou momentos de extrema relevância, como o impeachment de Fernando Collor e a trágica morte de Ayrton Senna.
O retorno a Londres, a paixão por vinhos e a indicação ao Emmy
Em 2011, Renato Machado iniciou um segundo ciclo em Londres. Dessa vez, participou da cobertura dos 95 anos de Nelson Mandela, da crise financeira na Grécia e dos desdobramentos dos atentados terroristas contra a redação do jornal francês Charlie Hebdo, em 2015.
Paralelamente ao jornalismo factual rígido, Renato pôde focar em sua paixão declarada: a cultura do vinho. Em 2014, produziu para o Jornal Hoje uma consagrada série sobre a região da Provença, na França, aliando gastronomia, vinhos finos e a influência do vento mistral sobre as vinícolas.
De volta ao Brasil em 2016 como repórter especial do Globo Repórter, participou de reportagens de grande sensibilidade social. A edição “A arte como passaporte” (2016), que contou histórias de superação de crianças carentes de Heliópolis e de bailarinas brasileiras nos EUA, rendeu ao programa uma prestigiosa indicação ao Emmy Internacional. Ele se desligou da emissora em novembro de 2021.
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