Ex–prefeito de Eirunepé entra na mira da justiça por corrupção e desvio de verbas; entenda
Redação do Jornal 5 de agosto de 2025 0 COMMENTS
AMAZONAS – O ex-prefeito do município de Eirunepé, Raylan Barroso, está na mira da autoridades após inúmeras denúncias de seu tempo de governo. O ex-gestor deixou um rastro enorme de corrupção, desvios de verbas e desfalques na conta da prefeitura.
Chegou o momento de Raylan Barroso prestar conta com a justiça de todos os atos irregulares tomados a frente da administração de Eirunepé. Vamos relembrar alguns dos maiores escândalos de seu governo e refrescar a memória de dois vereadores, supostamente, mulas de Raylan Barroso, vereador Maylson e vereador Cley, que fecharam os olhos para todas as falcatruas do ex-gestor.
Os vereadores que hoje cobram excessivamente a atual gestão, não moveram um dedo para cobrar Raylan na época de seu mandato, muito menos lutaram pelo povo que hoje dizem querer ajudar. Atrapalham a atual gestão, criticam o novo governo, mas deixaram Raylan livre para fazer o que quisesse com o município e com o povo que dizem defender.
Para refrescar a memória de tais vereadores, vamos começar com o escândalo de corrupção, que aponta para o desvio de quase R$ 3 milhões em verbas federais, destinadas à saúde pública.
E o centro das denúncias é o uso irregular de R$ 2.990.355,00, em recursos federais. O dinheiro é oriundo de emendas parlamentares de dois membros da bancada do estado do Amazonas entre os anos de 2023 e 2024. Isso ocorreu na gestão do ex-prefeito Raylan Barroso.
As verbas, creditadas na conta específica do Fundo Municipal de Saúde tinham objetivos claros: compra de equipamentos e materiais permanentes para a atenção especializada em saúde.
No entanto, o ex-prefeito teria desviado os recursos, utilizado a verba para comprar materiais alheios ao seu fim específico. E ainda se locupletado do dinheiro para benefício próprio.
Tais denúncias foram formalmente apresentas à Câmara Municipal do município, pela atual gestão da prefeita Áurea Marques. Elas miram o ex-prefeito Raylan de Alencar Barroso, sua ex-secretária de saúde, Tayana Oliveira Miranda, e o ex-secretário de finanças, Dângelo Falcão.
As emendas em questão são as seguintes:
– R$ 2.000.000,00 do deputado federal Sidney Leite (PSD-AM), destinada especificamente para a compra de um tomógrafo.
– R$ 990.355,00 do senador Plínio Valério (PSDB-AM), voltada à compra aquisição de um aparelho de raio-x fixo e dois móveis.
Escândalo do Asfalto: contrato de R$ 16,3 milhões sem retorno
Um dos casos mais alarmantes envolve um contrato de R$ 16.319.093,04 firmado com a empresa
RS Empreendimentos Ltda., supostamente para pavimentação de ruas nos bairros urbanos de Eirunepé. Segundo investigação conduzida pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), os serviços contratados não foram devidamente executados, apesar do pagamento milionário ter sido autorizado pela prefeitura.
O promotor responsável pelo caso ressaltou que as imagens feitas in loco e os relatos da população não correspondem à magnitude do valor empenhado. Ruas permanecem esburacadas, intrafegáveis ou sequer receberam qualquer camada de asfalto, mesmo constando como “100% concluídas” nos relatórios da gestão municipal.
O inquérito civil, instaurado em maio de 2024, apura fraude em licitação, enriquecimento ilícito, dano ao erário e possível formação de conluio entre agentes públicos e a empresa contratada.
Desvios em programas sociais e educação infantil
Além das obras fantasmas, Raylan Barroso foi condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por má gestão de recursos destinados à criação de creches. O município recebeu R$ 1,18 milhão do Governo Federal, mas só entregou 31% do número de vagas prometidas. O ex-prefeito foi obrigado a devolver a verba e pagar multa.
Contas irregulares e devolução de R$ 5 milhões
O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) também considerou irregulares as contas da Prefeitura de Eirunepé no exercício de 2022. auditoria encontrou 12 irregularidades graves, incluindo:
Superfaturamento em compras
Ausência de documentação fiscal
Omissão de informações obrigatórias
Contratos sem respaldo legal
O ex-prefeito foi condenado a devolver R$ 5.129.829,21 ao erário e pagar multa de R$ 51.203,98.
Crime ambiental: madeira retirada para uso pessoal
Em outra frente, o Ministério Público Estadual denunciou Raylan por ordenar a retirada ilegal de madeira da zona rural de Eirunepé sem licença ambiental e usando recursos públicos. A madeira foi utilizada para construir uma casa de lazer pessoal, em total desrespeito às normas ambientais e ao uso do dinheiro público.
Promoção pessoal e tentativa de censura
Ministério Público Eleitoral também identificou práticas de promoção pessoal com dinheiro público. Em eventos da prefeitura, como o Dia das Mães, Raylan estampava seu nome em faixas, outdoors e materiais gráficos distribuídos população — que caracterizaria abuso de poder político.
Após deixar o cargo, em 2025, a gestão municipal chegou a enviar ofício tentando impedir que o ex-prefeito falasse ao vivo em uma rádio comunitária, o que foi interpretado como tentativa de censura política, sendo alvo de denúncia ao MP.
A gestão de Raylan Barroso deixou um legado de desconfiança, rombos milionários estragos visíveis nas ruas de Eirunepé. De creches inacabadas a obras de asfaltamento fantasmas, passando por crimes ambientais e promoção pessoal com recursos da prefeitura, o ex-prefeito se tornou símbolo do que especialistas classificam como “máquina pública aparelhada para fins pessoais”
Sabotagem à gestão atual
Além das irregularidades financeiras, o ex-prefeito é acusado de promover uma campanha de sabotagem contra a atual gestão da prefeita Áurea Marques. Isso incluiria a criação de empresas-laranja para participar de licitações com preços abaixo do custo e subsequentes denúncias quando não eram escolhidas.
Raylan Barroso já teria feito mais de 40 denúncias apenas no Tribunal de Contas do Estado (TCE) contra a atual administração, indicando uma tentativa de desestabilizar o governo.
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